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Cada verso que escrevo é sem razão


"Se a esquiva é o desvão do fingimento,
o silêncio sugere o sim e o não.
Se a lembrança prepara o esquecimento,
cada verso que escrevo é sem razão.
(...)"
- Antoniel Campos


Se a escrita adensa e ferve a veia
em cada sílaba dou volta e meia.
Se a coisa aperta sigo na contramão
cada verso que escrevo é sem razão.

Mas se ralo o verso frouxo afina
no valente soneto encontro a rima
E se a redondilha cá não desatina
com um bom terceto mudo a sina.

Cru, limpo, substantivo bem concreto,
logo arrumo esse verso sem conserto.
Da escrita ainda nem tenho os calos
mas com Homero já domei cavalos.

Quem quiser que nisso veja intenção
cada verso que escrevo é sem razão.



Basilio Miranda

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