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Preferência e direito


Um médico disse: esquizofrênico.
Um outro divergiu: paranóico.
Desfilaram argumentos
e arrolaram sintomas.

O primeiro olhava-me calmo
parecia ser um bom homem.
Preferi os seus sintomas
e com eles me vesti.

Hoje sou o Esquizofrênico deste hospício.
A cara que não se olha
pois de ti não iria tirar os olhos
até descobrir quem pensas que és.

Diverte-me o silêncio que há
entre as pessoas e os fantasmas.
Diverte-me o medo das pessoas
diante dos meus olhos implacáveis.

Assim os dias passam e garantido está
o meu direito de desenhar a minha própria cabeça
e furar com os meus dedos a minha face
e nada falar e a ninguém responder.

Mas, às vezes, a um bom-dia
agrada-me retrucar:
- cuidado, sou o Esquizofrênico deste hospício.



Basilio Miranda


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