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Há
as ditaduras más
e as ditaduras boas;
há o crime condenável
e o outro, justificável.
Este mundo só cortamos
com facas de duas lâminas
e palavras elegantes
de si mesmas já antônimas.
Este mundo só explicamos
com a argúcia do sofisma
que, acrobata, supremo relativista
sequer precisa de fulcro
(por exemplo, Einstein sem a velocidade da luz).
Relativa alavanca de si mesma,
ao pensar o mundo há que esconder
poeiras amigas sob o tapete
- pois, essas, cá não deviam estar:
não cabem
não se cortam
seus mortos não sangram
seus torturados não gritam.
Há quem explique uma burca,
mas não se explica um curdo
ou uma mulher que mostre o rosto:
para que há de servir um curdo
para que há de servir o rosto
de uma mulher?
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