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| pequena alegria noturna | ||
| Enquanto
tarda a manhã e estes olhos ainda abertos como dedos sem esperança ou rancor em mãos inertes, já frias, a chuva e a longa espera e nenhum raio de sol ousa ainda ferir a neblina. Quase ninguém mais vem a este lado da cidade. Venho como sempre, apenas um velho brandy e um garçom míope que mora muito longe e à minha chegada maldiz a sorte - resigna-se, sabendo que tão cedo daqui não arredo pé. Nenhum ruído disfarça a lentidão desta noite - talvez mais tarde o tropeçar de um bêbado descrevendo sua linha nem sempre inteiramente reta na surdez úmida da calçada defronte, deserta, pouco esperando que aconteça - e o que aconteceria? Esperaria encontrar alguém que o matasse de surpresa? Quanto a mim, restam-me uns desejos provavelmente improváveis, algum cansaço de esperar não sei bem o quê, uma indolência dos sentidos, a alegria do paladar -como desce bem este conhaque! Mas ainda posso esperar que um dia amanheçam calmos os insones, imensos músculos deste rosto. |
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Basilio Miranda |
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