| voltar | ||
| poznan, cracóvia, gdanski - 1983 | ||
| Meu
olho não-crítico esteve perto do que aconteceu, meu olho crítico não viu. Minha utopia cinzenta o verão em Poznan para sempre denso, ferindo a memória. E chegavam hordas e mais hordas, cotovelos o frango voou no prato e encheu tua roupa de purê de batatas às três da madrugada. E logo o sol na Estação Central erguendo um totem de sombra, alongando o resto dos mortos monumentais. Leva após leva, todos eles people to see the pope e eu, que nunca mais fui à missa com os outros católicos, meu olho clínico ri cínico desta atroz cruz carola milhões de... idiotas? atrás do papienz Karol todos mortos de medo e raiva, entre Berlim e Moscou há séculos. As pedras de Poznan cinzas como sopa sopa e pratos de sopa pratos e filas de pratos ao café da manhã, sopa mesmo em tempos de paz? (tanques do pacto, pax varsóvia) o diabo é que os comunistas acabaram com a fome e com a vontade de comer. E Gdanski também veio ver o papa na Central Glowny de Poznan. De sua cidade não traziam as pedras encarnadas o porto entre pedras cidade aos pedaços refeita de seus pedaços de tijolo e canal, o mar fazendo o rio pagão e medieval a sombra de Netuno acalmando os canais bálticos e agradeceram pela lembrança mas preferiram não reivindicar o comunismo puro e verdadeiro como o primeiro amor. A estátua de Netuno não fica tão longe da Casa de Torturas. Berlimoscou,s Auchen(witz) fica perto da alta, eterna neve de Zakopene. Os cabelos dos cadáveres avizinham meu corre-corre turista. E, esperto, negocio dólares negros com o hospedeiro comunista eu, que já fui um bom camarada. Adeus, polish crazy people. O mar confunde o rosto que em meus olhos viaja. Marinheiros gargalham, brisa úmida rumor longe, vento, cabelos frios em meu ombro, o sol morre em Gdanski; logo haverá lua e maré cheia. Ao amanhecer talvez um navio, comissários do povo de faces âmbar-infeliz, mulheres faladeiras e gente com pressa. O mar é a mulher que dorme e respira. Meus olhos se esquecem o mar os dispersa o que olham perde-se. Silêncio de noite. Silêncio de lua. A lâmina do horizonte brilha arde em meus olhos. |
||
|
Basilio Miranda |
|
|
| . | ||
| voltar |