voltar  
     
  A clareza da voz - 3 (fragmento)  
  julho/2005  
  A Albert Einstein, aos 50 anos da sua morte e aos 100 do seu ano milagroso  
     
  (...)
Pelo vértice dos teus olhos em paralaxe
Albert Einstein enxergou
a fuga das estrelas.
(...)
Beatriz de Paula - em "Pitágoras"

 
     
   

Retorna aos lábios palavra perdida
que da luz roubavas o rumo.
Aos olhos a duração do instante
a vivacidade das impurezas claras.
Eras a voz tonta que a cada dia
acordava o mais dormente nervo.

Erravas, confusa e áspera.
Mas eras inteira surpresa
na audácia de tuas falhas.

Não eras nome, não eras adjetivo
tinhas a imprecisão dos sentidos
cegos apalpando o limiar da aurora.
A inconsciência dos pecados
o sorriso calado que Michelangelo
imaginou enxergar na face de Deus.

Eras a lucidez das indagações sem pudor
o claro estado de infância e o nervo dos dias
a observação dos sinais e o destemor do experimento.

Rias do medo de raios e relâmpagos
ignoravas cética o princípio e o fim
se considerados sem o benefício da dúvida.
E com a simplicidade dos triângulos
anunciavas a aventura humana
decifrando o truque das estrelas.

     
     
 

Basilio Miranda

 

     
  .  
  voltar