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Retorna aos
lábios palavra perdida
que da luz roubavas o rumo.
Aos olhos a duração do instante
a vivacidade das impurezas claras.
Eras a voz tonta que a cada dia
acordava o mais dormente nervo.
Erravas, confusa e áspera.
Mas eras inteira surpresa
na audácia de tuas falhas.
Não eras nome, não eras adjetivo
tinhas a imprecisão dos sentidos
cegos apalpando o limiar da aurora.
A inconsciência dos pecados
o sorriso calado que Michelangelo
imaginou enxergar na face de Deus.
Eras a lucidez das indagações sem pudor
o claro estado de infância e o nervo dos dias
a observação dos sinais e o destemor do experimento.
Rias do medo de raios e relâmpagos
ignoravas cética o princípio e o fim
se considerados sem o benefício da dúvida.
E com a simplicidade dos triângulos
anunciavas a aventura humana
decifrando o truque das estrelas.
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