Véspera da partida; lavo o rosto mas retenho as cicatrizes dos olhos: elas distorcem e revelam o que vejo. Parto com elas: fecho as pálpebras para sentir a areia seca das retinas. Não devia ter olhos vindos de outra era. Devia cegá-los para que nascessem agora inocentes e risonhos - no frescor de relógio da hora sem memória. Então voltaria a enxergar a graciosa aparência das coisas - mas não posso; e já nem sei se devo.
Basilio Miranda