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A manhã
corre o corpo
nudez sem febre
fria a água que lava o rosto
o espelho
as mãos que acordam as faces
há em todas as manhãs a promessa do ânimo;
hoje hei de escrever um poema
que saiba quem o escreveu
linhas nascidas da mão livre
no descuido do pensamento
com o sentimento fatal do que é ínfimo
- ser pó é saber
que ao vento só se pode obedecer -
e o meu poema há de dizer quem sou;
há de vir do lugar onde existiu
o homem livre que a memória
às vezes confunde comigo.
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