voltar  
     
  nascente  
     
   

Resta
do que fui e pensei ser
quase perdido um menino a imaginar
o idioma das coisas
a esmagar nos dedos frágeis as ervas
para entender os seus nomes.

Um rio que por lá passava e parecia
o caminho para o fim do mundo
conformou-se ao lodo do tempo.
As fronteiras
imaginam-se demarcadas
rara é a água nova.

Procuro aquele menino de olhos espantados.
Nele ainda deve estar
o rio, a nascente
das coisas perdidas
quando ainda não eram coisas
e tinham a beleza das incógnitas.

     
     
 

Basilio Miranda

 

     
  .  
  voltar