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  Da imortalidade das estátuas
  A Ivan Wrigg
 
 
 

Se olhada de frente essa estátua
parece desconfortável em sua pose;
se olhada de baixo parece pequena
tal o porte insensato de seu pedestal.

Pudesse descer dali por um minuto,
despir a casaca, o peso do bronze;
ou, sendo a imobilidade seu único direito,
ao menos podiam coçar-lhe o nariz.

E alguma alma nobre, piedosa,
bem podia enxotar-lhe os pombos
para que ao menos melhor estivesse
que o morto ali representado.

Se ao menos a cobrissem
se ao menos a lavassem
se ao menos fosse busto
meia-estátua, meio-limpa.

E nessa sina ilustre mas já anônima,
se pudesse cortar os pulsos
ou atirar-se de penhascos.
Como é triste a imortalidade das estátuas.

 
 
 

Basilio Miranda

 

 
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