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  Permanece o que viveu
 
  "(...) a boca que resiste
em manter viva a permanência

de uma garganta forte
mesmo que seja muda e degolada (...)"

- José Félix, em "razão de existir ou a existência como uma falácia"

 

     
 
 

se lá onde o verbo resiste
na garganta tal força muda
represa o grito, rompe o limite
do sempre dito, e assim saúda

o vivente breve a quem assiste,
sem certezas com que se iluda,
os saberes da fala, e de tal sorte,
que a palavra substantiva e miúda

na delicadeza da voz tudo diga
e meio clara e metade escura
disfarce da vida sua fadiga

e em plena força, sua toda altura,
alegre de seu silêncio consiga
à morte calma brindar sem secura

que na fibra e na lembrança deste solo antigo
o que viveu há de ficar - ainda que disso inconsciente;
na cegueira lúcida de um poeta, Tróia se fez existente.

 
 
 

Basilio Miranda

 

 
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