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Inexata é
a forma do vento
perfeita em seu desejo de amplidão
e fuga.
Restrita é a forma do ar
em estado de imobilidade
e asfixia.
Exatos são apenas os cálculos
não a forma de seu produto
o defeito.
A língua ideal: muitos verbos, uma regra.
Mas ninguém fala Esperanto.
Irregular é a forma da vida:
há que existir em cada poema
uma falha aresta
que escape ao autor
e outra - que escape ao leitor.
Ali o poema respira
na imprecisão
dos sentidos originais:
todo poema aspira ao verbo irregular
à
solidão da fala
órfã nascida no vácuo
de um peito que em si já não cabe.
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